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9 hábitos que especialistas recomendam na meia-idade para viver mais e envelhecer melhor

9 hábitos que especialistas recomendam na meia-idade para viver mais e envelhecer melhor

Cuidados adotados entre os 40 e 60 anos podem influenciar a saúde do corpo e do cérebro nas décadas seguintes

Por Dana G Smith, Em The New York Times
29/07/2026 04h30

A forma como você cuida do seu corpo e do seu cérebro durante a meia-idade, geralmente definida como o período entre os 40 e 60 anos, pode influenciar profundamente como será o seu envelhecimento nas décadas seguintes.

As sementes de muitas doenças relacionadas à idade, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e demência, são plantadas durante a meia-idade. Por isso, é importante começar a pensar na prevenção desde cedo. E é preciso uma vida inteira de hábitos saudáveis — não apenas algumas semanas — para fazer diferença na longevidade.

“A meia-idade é o momento ideal para fazer mudanças, não apenas para beneficiar você no presente, mas também no futuro”, disse Margie Lachman, professora de psicologia da Universidade Brandeis e autora de “Primetime: A New Vision for Midlife”.

Afinal, acrescentou ela: “O que acontece na meia-idade não fica apenas na meia-idade”.

Conversamos com especialistas sobre alguns pequenos hábitos que podem fazer uma grande diferença.

1. Faça treinamento intervalado

A capacidade cardiorrespiratória é um dos melhores indicadores “de longevidade e da capacidade de se manter ativo e com mobilidade nos últimos anos de vida”, afirmou o Dr. Guillem Gonzalez-Lomas, professor associado de cirurgia ortopédica na Faculdade de Medicina Grossman da Universidade de Nova York.

Uma maneira de melhorar a capacidade cardiorrespiratória é incorporar treinos intervalados aos exercícios algumas vezes por semana, disse Gonzalez-Lomas.

Por exemplo, em vez de passar 30 minutos na esteira ou na bicicleta ergométrica em um ritmo constante, tente alternar 30 segundos de corrida intensa e 30 segundos de descanso, repetindo 10 vezes. Será um treino mais curto, mas idealmente também mais intenso, porque, para obter o maior benefício, “você realmente precisa se esforçar”, afirmou.

2. Faça tarefas do dia a dia com um amigo

Vários especialistas destacaram a importância dos relacionamentos sociais para a saúde e o bem-estar a longo prazo.

As pessoas geralmente “não pensam na interação social como uma intervenção de saúde”, disse o Dr. Ezekiel Emanuel, professor de ética médica e política de saúde na Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia e autor de “Eat Your Ice Cream: Six Simple Rules for a Long and Healthy Life”. Mas ela pode ser “a intervenção de bem-estar mais importante”, afirmou.

A realidade da meia-idade é que pode ser difícil encontrar tempo para si mesmo, quanto mais conciliar agendas com outro amigo ocupado. Lachman sugeriu adotar a estratégia de “matar dois coelhos com uma cajadada só” e se juntar a alguém para realizar tarefas da lista de afazeres. Isso pode incluir caminhar ou treinar juntos, ou até mesmo ir ao supermercado.

3. Consuma alimentos fermentados

Ao pensar na saúde do seu corpo, não se esqueça dos trilhões de organismos que vivem dentro de você: o seu microbioma, afirmou o Dr. John Beard, professor de envelhecimento saudável na Escola de Saúde Pública Mailman da Universidade Columbia.

Um microbioma intestinal saudável, em especial, está associado a um envelhecimento mais saudável. Ele está intimamente ligado ao sistema imunológico e ajuda a controlar a inflamação no organismo, um dos principais fatores envolvidos em muitas doenças relacionadas ao envelhecimento.

As pesquisas ainda estão em fase inicial, mas especialistas começam a considerar que uma das melhores formas de cuidar do microbioma é alimentá-lo com comidas fermentadas, que adicionam mais microrganismos benéficos ao organismo. Você pode começar o dia com uma tigela de iogurte ou incluir alimentos como kimchi, kombucha, kefir ou chucrute na alimentação.

4. Faça musculação

Embora o condicionamento aeróbico seja essencial para uma longevidade saudável, pesquisas mostram cada vez mais que a força muscular pode ser igualmente importante. Ter músculos fortes está associado a maior longevidade e independência na velhice, enquanto a perda excessiva de massa muscular aumenta o risco de fragilidade.

Além dos benefícios práticos, o treinamento de resistência faz com que os músculos liberam moléculas sinalizadoras chamadas miocinas, algumas das quais ajudam a reduzir a inflamação no organismo.

Se você já tem experiência com musculação, não tenha medo de se desafiar com pesos maiores, afirmou Gonzalez-Lomas. Mas, se está começando agora, “qualquer tipo de treino de resistência que você faça vai fazer diferença”.

O objetivo é “chegar a um ponto em que você sinta que seus músculos estão sob estresse” e começando a apresentar fadiga, explicou o médico.

5. Inclua um pouco de proteína em todas as refeições

As pessoas começam a perder massa muscular a partir dos 30 anos, um processo que se acelera depois dos 60. Consumir proteína suficiente, especialmente em combinação com exercícios de resistência, pode ajudar a compensar essa perda.

Isso não significa que você precise exagerar no consumo de proteína — a recomendação geral de 0,8 a 1,2 grama de proteína por quilo de peso corporal é suficiente, disse a Dra. Elena Volpi, diretora do Instituto de Longevidade e Estudos do Envelhecimento da UT Health San Antonio. Isso equivale a cerca de 54 a 81 gramas de proteína por dia para um adulto de aproximadamente 68 kg.

Para garantir que você consuma proteína suficiente todos os dias e que seu corpo consiga aproveitá-la da melhor forma, Volpi sugeriu incluir alguma fonte de proteína em todas as refeições.

6. Use as escadas

Especialistas destacaram a importância de incorporar movimento regularmente à rotina, não apenas durante os momentos reservados para exercícios na academia.

“Eu não chamaria isso de exercício, eu chamaria de atividade física”, disse Volpi.

Diversos estudos descobriram que dar cerca de 7 mil passos por dia reduz significativamente o risco de morte e de doenças associadas ao envelhecimento. É possível incluir esse movimento diário de várias maneiras: usando escadas em vez de elevadores, caminhando em vez de dirigir ou, quando precisar usar o carro, estacionando mais longe da entrada. Com o tempo, esses passos extras se acumulam e podem fazer diferença para a saúde.

7. Tome a vacina contra herpes-zóster

Há evidências crescentes de que a vacina contra o herpes-zóster também oferece proteção contra a demência, reduzindo o risco de declínio cognitivo em cerca de 20%. Outras vacinas, especialmente contra gripe, pneumococo e tríplice bacteriana acelular (dTpa), também podem trazer algum benefício.

Os cientistas ainda não sabem exatamente por que isso acontece, mas uma hipótese é que, ao prevenir infecções, as vacinas protegem contra importantes causas de inflamação no cérebro e no organismo.

“É a coisa mais fácil de fazer porque, ao contrário de quase tudo relacionado ao bem-estar, é algo que você faz uma vez e pronto”, afirmou Emanuel.

8. Faça uma lista das doenças crônicas dos seus pais

Embora os hábitos de vida influenciam o risco de doenças relacionadas ao envelhecimento, a genética também tem um papel importante. Volpi aconselhou descobrir quais doenças existem na família e conversar com um médico sobre a melhor forma de administrar esses riscos ao longo do tempo.

Pergunte quais sinais ou sintomas devem ser observados e o que pode ser feito para reduzir os riscos.

9. Durma no mesmo horário todas as noites

Dormir pouco está associado a diversas condições de saúde, incluindo obesidade, diabetes, doenças cardíacas e demência. Como era esperado, também está relacionado a uma menor expectativa de vida.

A recomendação de dormir entre sete e oito horas por noite é mais fácil de falar do que de colocar em prática. Por isso, em vez de se concentrar apenas em uma quantidade de horas, especialistas recomendam criar condições para melhorar a qualidade do sono.

Talvez o mais importante seja tentar manter um horário regular para dormir. Um estudo de 2024 descobriu que a regularidade do sono — dormir e acordar aproximadamente nos mesmos horários todos os dias — foi um indicador de mortalidade ainda mais forte do que a duração do sono.

9 hábitos que especialistas recomendam na meia-idade para viver mais e envelhecer melhorhttps://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/07/29/9-habitos-que-especialistas-recomendam-na-meia-idade-para-viver-mais-e-envelhecer-melhor.ghtmlOpen linkView original on lemmy.eco.br
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Segundo a ciência, a velocidade com que uma pessoa caminha revela muito sobre o funcionamento interno do corpo e da mente

Segundo a ciência, a velocidade com que uma pessoa caminha revela muito sobre o funcionamento interno do corpo e da mente

Além de favorecer a saúde física, caminhar em bom ritmo pode estar associado a um cérebro mais saudável e a um envelhecimento menos acelerado

^Por^ ^Victoria^ ^Vera^ ^Ziccardi,^ ^Em^ ^La^ ^Nacion^
^28/07/2026^ ^04h30^ ^Atualizado^ ^há^ ^20^ ^horas^

Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que caminham devagar e as que caminham rápido. Esse é um dilema enfrentado diariamente por quem vive nas grandes cidades. Pode parecer um detalhe trivial — e até irritante quando se está com pressa e a pessoa à frente não acompanha o ritmo desejado —, mas a verdade é que a velocidade com que caminhamos de um ponto A a um ponto B pode revelar muito sobre o funcionamento do corpo e da mente.

De acordo com evidências científicas, pessoas que costumam caminhar mais rápido apresentam um envelhecimento menos acentuado do que aquelas que andam devagar. Além disso, pesquisas mostram que quem se desloca lentamente tende a apresentar sinais de envelhecimento cognitivo mais avançado, como pontuações mais baixas em testes de quociente de inteligência (QI), memória, velocidade de processamento, raciocínio e outras funções mentais. Exames também indicaram que essas pessoas tinham cérebros menores e uma menor quantidade de substância branca — tecido do sistema nervoso central responsável por conectar diferentes áreas do cérebro e a medula espinhal.

Diversas evidências

Vários estudos apontam que a velocidade da caminhada é um importante indicador da expectativa de vida em idosos. Um exemplo é uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Pittsburgh, que reuniu dados de nove estudos envolvendo mais de 34 mil adultos com 65 anos ou mais, acompanhados por períodos entre seis e 21 anos.

Os resultados mostraram uma forte associação entre a velocidade da caminhada e a longevidade. Homens de 75 anos que caminhavam mais lentamente tinham 19% de chance de viver mais dez anos. Entre aqueles que caminhavam mais rápido, essa probabilidade chegava a 87%.

Um dos estudos mais recentes sobre o tema foi publicado na revista Neurology, com o título "Associação entre função neurocognitiva, função física e velocidade da caminhada na meia-idade". Nele, pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, acompanharam ao longo da vida a função cognitiva de 904 pessoas, avaliadas aos 45 anos de idade.

Além de identificar sinais de envelhecimento acelerado nos pulmões, dentes, coração e sistema imunológico dos participantes que caminhavam mais devagar, os pesquisadores observaram que esse grupo também apresentava envelhecimento cognitivo mais avançado.

Exames de ressonância magnética revelaram alterações visíveis no cérebro dessas pessoas. Os participantes com caminhada mais lenta tinham cérebros menores, o neocórtex — camada mais externa do cérebro, responsável pelo pensamento e pelo processamento de informações complexas — mais fino e menor volume de substância branca.

Os pesquisadores também encontraram indícios de que essas diferenças já estavam presentes desde a infância. Para isso, utilizaram testes de inteligência, linguagem e habilidades motoras realizados pelos participantes quando tinham apenas três anos de idade.

Segundo Line Jee Hartmann Rasmussen, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, esse achado sugere que a velocidade da caminhada não é apenas um sinal do envelhecimento, mas também uma janela para compreender a saúde cerebral ao longo de toda a vida.

O que acontece no cérebro

Analisando os resultados, a neurologista Lucía Zavala explica que, na neurologia clínica, não se fala apenas do tamanho do cérebro, mas da chamada reserva estrutural e cognitiva.

"Um maior volume cerebral e um córtex preservado representam uma maior densidade de neurônios", afirma. Segundo a especialista, isso permite que o sistema nervoso suporte melhor os danos provocados por doenças neurodegenerativas ou por alterações vasculares.

Ela ressalta ainda que caminhar de forma fluida e em bom ritmo é uma tarefa motora complexa, que exige:

  • ativação coordenada de diversas áreas do cérebro;

  • interação entre o cerebelo e os gânglios da base para controlar equilíbrio, tônus muscular e automatização dos movimentos;

  • aumento do fluxo sanguíneo cerebral, entre outros mecanismos.

"Quando a velocidade da caminhada diminui precocemente, estamos observando uma manifestação inicial de alterações na conectividade cerebral", alerta.

Para Zavala, a principal contribuição desse estudo é mostrar que essa relação surge muito antes do que se imaginava.

"Os resultados sugerem que a velocidade da caminhada na vida adulta reflete, de forma acumulativa, a saúde do neurodesenvolvimento e do processo de envelhecimento ao longo de toda a vida", destaca.

A neurologista defende que a medição da velocidade da caminhada passe a fazer parte dos exames de rotina de pessoas de meia-idade, já que se trata de um biomarcador clínico de baixo custo, não invasivo e com grande capacidade de prever riscos à saúde.

Por fim, ela cita outras atividades físicas que também trazem benefícios importantes para o cérebro. Entre elas estão a dança, que exige processamento do ritmo, coordenação motora e orientação espacial ao mesmo tempo; os esportes com raquete, como tênis e padel, que estimulam o rastreamento visual, o planejamento estratégico e movimentos de alta precisão; e o treinamento de força com pesos, que melhora o metabolismo, reduz a neuroinflamação e ajuda a preservar a integridade do córtex frontal.

Segundo a ciência, a velocidade com que uma pessoa caminha revela muito sobre o funcionamento interno do corpo e da mentehttps://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/07/28/segundo-a-ciencia-a-velocidade-com-que-uma-pessoa-caminha-revela-muito-sobre-o-funcionamento-interno-do-corpo-e-da-mente.ghtmlOpen linkView original on lemmy.eco.br
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Muro da USP vira esqueleto de bambu quase dez anos após fracasso da vidraça instalada por Doria

Muro da USP vira esqueleto de bambu quase dez anos após fracasso da vidraça instalada por Doria

  • Projeto original resultou em mortes de aves e tinha falhas estruturais; ex-prefeito não comentou e USP diz intensificar construção de barreira de plantas

  • Treliças colocadas há um ano deveriam ter trepadeiras, mas poluição e até furto de bromélias dificultam a manutenção

^27.jul.2026 às 13h04^
^Atualizado: 27.jul.2026 às 17h29^

^Clayton Castelani^

Quase uma década após o anúncio da substituição do antigo muro de alvenaria por painéis transparentes, a USP (Universidade de São Paulo) ainda patina para dar uma solução definitiva ao cercamento da sua Raia Olímpica, paralela à marginal Pinheiros, no Butantã (zona oeste).

A Folha esteve no local nos dias 20 e 23 de julho e constatou a visível dificuldade de avanço da mais recente tentativa de criar uma barreira segura sem custos excessivamente altos e que não prejudique a fauna –aves já morreram ao colidir com as vidraças.

Treliças de bambu foram instaladas sobre painéis remanescentes, que receberam adesivos de película plástica escura. O esqueleto de madeira também recobre grades metálicas. Aos poucos, o gradil vai substituindo vidraças que se rompem pela trepidação causada pelo tráfego pesado e até com tiros de arma de fogo disparados a partir de veículos, segundo funcionários da instituição.

Na atual proposta, a trama de caniços deve receber uma cobertura de trepadeiras. Sua função é ser uma barreira perceptível para os pássaros. É também alternativa mais barata do que cobrir os painéis que ainda existem ao longo dos 2,2 quilômetros da extensão do canal de regatas.

Um servidor que tem acesso a detalhes da manutenção afirmou que o custo da substituição de cada folha de vidro é de aproximadamente R$ 4.000 e que a troca por grades também é onerosa.

Para viabilizar a substituição parcial dos vidros e implantar o paisagismo, a universidade desembolsou mais de R$ 3 milhões de recursos próprios entre 2022 e 2026.

Enquanto as plantas não crescem, a cerca com materiais alternados tem aspecto de improviso e degradação.

A construção da barreira vegetal foi anunciada ainda em 2022. Em julho do ano passado, a universidade comunicou a demolição do último trecho do muro para a consolidação do corredor verde. Mas o jardim, assim como ocorreu com a vidraça, enfrenta furtos e vandalismo.

Enquanto os painéis de vidro atraem interessados em arrancar seus perfis de alumínio, os jardins são alvo de pessoas que retiram suas plantas. Um funcionário da administração da universidade relatou que, no Dia das Mães, diversos motoristas pararam seus carros na via expressa para apanhar bromélias.

A poluição do ar e os ventos também prejudicam a manutenção da área ajardinada, afirmou a prefeitura do campus da USP, em nota. A gestão informou, no entanto, que intensificou as ações de recuperação nos últimos quatro meses para garantir que a área cumpra sua função ambiental. O projeto prevê o uso de espécies nativas da mata atlântica e do cerrado, além do monitoramento contínuo da fauna.

Ao percorrer o local, a Folha observou jardins recentemente plantados em alguns trechos. No local, um funcionário relatou que há poucos dias uma empresa terceirizada retomou os serviços de paisagismo.

O cercamento da Raia Olímpica é alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo contra a universidade. No final de maio, a Justiça intimou a USP a apresentar, em 30 dias, um relatório sobre o cumprimento integral da instalação dos jardins e das tramas de bambu devidamente cobertas com trepadeiras. Movimentações processuais desta semana apontam que a Justiça aceitou um pedido dos advogados da instituição para ampliar o prazo.

O imbróglio teve início em 2017, quando o então prefeito João Doria anunciou a troca do muro de concreto por 1,3 km de painéis de vidro, sob o argumento de integrar a Cidade Universitária à capital. A obra, acordada com a direção, foi orçada em mais de R$ 15 milhões, custeados inicialmente por doações de empresas.

O projeto, contudo, falhou rapidamente. Menos de duas semanas após a inauguração dos primeiros 500 metros, em abril de 2018, as placas começaram a trincar.

Os erros técnicos evidentes levaram o Ministério Público a intervir no caso. Empresas doadoras e prefeitura se afastaram, e a questão só foi pacificada quando a USP assumiu o fracasso do modelo de vidro, passou a arcar integralmente com os custos e propôs o corredor verde.

Servidores ligados à gestão do campus se queixam de que a USP aceitou o projeto original a contragosto, tendo sido forçada a engolir uma decisão política. A instituição é uma autarquia vinculada ao governo estadual, na época ocupado pelo atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Na ocasião, Doria e Alckmin eram do PSDB.

Idealizador do projeto e responsável pela articulação política que resultou no envidraçamento, Doria não quis comentar o caso ao ser procurado pela reportagem.

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), à qual a USP é vinculada, informou que não comentaria porque a universidade possui autonomia orçamentária e financeira para gerir seus próprios projetos.

Muro da USP vira esqueleto de bambu quase dez anos após fracasso da vidraça instalada por Doriahttps://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/07/muro-da-usp-vira-esqueleto-de-bambu-quase-dez-anos-apos-fracasso-da-vidraca-instalada-por-doria.shtmlOpen linkView original on lemmy.eco.br
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"Tiro se corrida" - prática proibida e arriscada que consiste em fixar o celular a bondes e VLTs para se filmar correndo atrás dele chega ao Rio de Janeiro

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Prática arriscada chega ao Brasil e VLT Carioca denúncia atividade à Polícia Civil

^Por Redação Trilhos do Rio Publicado em 24 de julho de 2026 09:27^

Atividade conhecida como “Tiro de Corrida” é praticada, igualmente de forma ilegal, há alguns anos em outros países. No Rio de Janeiro produtores de conteúdo têm utilizado o VLT para tal prática.

A concessionária VLT Carioca denunciou à Polícia Civil uma prática que vem ganhando espaço nas redes sociais e que pode comprometer a segurança da operação ferroviária. Conhecida como “tiros de corrida”, a ação consiste em fixar um telefone celular na parte externa do veículo e correr ao lado do VLT em movimento para registrar vídeos até a estação seguinte.

Segundo a concessionária, o aumento da divulgação desse tipo de conteúdo levou ao registro de uma notícia-crime, além do acionamento da Meta, empresa responsável pelo Instagram, para auxiliar na identificação dos perfis envolvidos na publicação dos vídeos. De acordo com informações divulgadas, uma das pessoas investigadas já foi chamada para prestar esclarecimentos.

Embora tenha ganhado repercussão recentemente no Rio de Janeiro, essa prática não é inédita. Há alguns anos, vídeos semelhantes vêm sendo produzidos em diversos países, especialmente na Europa, onde influenciadores e corredores passaram a utilizar bondes e VLTs como cenário para gravações voltadas às redes sociais. Agora, esse comportamento começa a ser reproduzido no Brasil e, em especial, no sistema do VLT Carioca.

Apesar do apelo visual das imagens, trata-se de uma atividade que apresenta diversos riscos. Além de colocar os próprios participantes em perigo, a presença de pessoas correndo ao lado dos trilhos pode interferir na operação, obrigando o operador a reduzir a velocidade ou até mesmo acionar a frenagem de emergência para evitar acidentes. A situação também representa risco para pedestres e passageiros.

Outro aspecto frequentemente ignorado é a possibilidade de perda ou projeção do aparelho celular utilizado na gravação. Caso o equipamento se desprenda durante o percurso, ele pode sofrer danos, atingir pessoas, danificar o material rodante, cair sobre a via permanente ou provocar interferências operacionais.

A concessionária lembra ainda que a conduta pode ser enquadrada como atentado contra a segurança de meio de transporte, crime previsto na legislação brasileira, sujeito às penalidades cabíveis.

O VLT Carioca reforça que o sistema foi projetado para oferecer um transporte seguro e eficiente, e que atitudes que coloquem em risco a operação, os passageiros ou terceiros devem ser evitadas. A orientação é que registros fotográficos e audiovisuais sejam realizados apenas em locais seguros, sem interferir na circulação dos veículos ou na rotina operacional do sistema.

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"Tiro se corrida" - prática proibida e arriscada que consiste em fixar o celular a bondes e VLTs para se filmar correndo atrás dele chega ao Rio de Janeiro

Prática arriscada chega ao Brasil e VLT Carioca denúncia atividade à Polícia Civil

^Por Redação Trilhos do Rio Publicado em 24 de julho de 2026 09:27^

Atividade conhecida como “Tiro de Corrida” é praticada, igualmente de forma ilegal, há alguns anos em outros países. No Rio de Janeiro produtores de conteúdo têm utilizado o VLT para tal prática.

A concessionária VLT Carioca denunciou à Polícia Civil uma prática que vem ganhando espaço nas redes sociais e que pode comprometer a segurança da operação ferroviária. Conhecida como “tiros de corrida”, a ação consiste em fixar um telefone celular na parte externa do veículo e correr ao lado do VLT em movimento para registrar vídeos até a estação seguinte.

Segundo a concessionária, o aumento da divulgação desse tipo de conteúdo levou ao registro de uma notícia-crime, além do acionamento da Meta, empresa responsável pelo Instagram, para auxiliar na identificação dos perfis envolvidos na publicação dos vídeos. De acordo com informações divulgadas, uma das pessoas investigadas já foi chamada para prestar esclarecimentos.

Embora tenha ganhado repercussão recentemente no Rio de Janeiro, essa prática não é inédita. Há alguns anos, vídeos semelhantes vêm sendo produzidos em diversos países, especialmente na Europa, onde influenciadores e corredores passaram a utilizar bondes e VLTs como cenário para gravações voltadas às redes sociais. Agora, esse comportamento começa a ser reproduzido no Brasil e, em especial, no sistema do VLT Carioca.

Apesar do apelo visual das imagens, trata-se de uma atividade que apresenta diversos riscos. Além de colocar os próprios participantes em perigo, a presença de pessoas correndo ao lado dos trilhos pode interferir na operação, obrigando o operador a reduzir a velocidade ou até mesmo acionar a frenagem de emergência para evitar acidentes. A situação também representa risco para pedestres e passageiros.

Outro aspecto frequentemente ignorado é a possibilidade de perda ou projeção do aparelho celular utilizado na gravação. Caso o equipamento se desprenda durante o percurso, ele pode sofrer danos, atingir pessoas, danificar o material rodante, cair sobre a via permanente ou provocar interferências operacionais.

A concessionária lembra ainda que a conduta pode ser enquadrada como atentado contra a segurança de meio de transporte, crime previsto na legislação brasileira, sujeito às penalidades cabíveis.

O VLT Carioca reforça que o sistema foi projetado para oferecer um transporte seguro e eficiente, e que atitudes que coloquem em risco a operação, os passageiros ou terceiros devem ser evitadas. A orientação é que registros fotográficos e audiovisuais sejam realizados apenas em locais seguros, sem interferir na circulação dos veículos ou na rotina operacional do sistema.

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‘Snacks de exercícios’: os benefícios de subir escadas durante três minutos por dia

‘Snacks de exercícios’: os benefícios de subir escadas durante três minutos por dia

Microdoses de exercícios de alta intensidade, distribuídas ao longo do dia, promovem a saúde cardiovascular e o metabolismo

^Por Pilar Pose , Em La Nacion^
^21/07/2026 12h29 Atualizado há 2 horas^

Durante décadas, cuidar da saúde física significava trancar-se na academia e suar bastante, independentemente do que se fizesse no resto do dia. Hoje sabemos que isso é um erro. Você pode correr cinco quilômetros pela manhã, mas, se logo depois passar nove horas imóvel em uma cadeira, seu corpo sofrerá as consequências. Estudos recentes mostram que períodos de dois a três minutos de atividade física de alta intensidade, distribuídos ao longo do dia, podem prevenir doenças e contribuir para o bem-estar.

O conceito de "lanchinhos de exercício" foi criado pela Universidade McMaster, no Canadá, e popularizado por pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Ele propõe exatamente o que o nome sugere: consumir breves períodos de atividade física intensa estrategicamente distribuídos ao longo do dia.

Não há necessidade de trocar de roupa, usar equipamentos ou investir tempo que interrompa sua rotina. A premissa é tão simples quanto disruptiva: elevar a frequência cardíaca de forma rápida e intensa e, em seguida, retornar à atividade anterior. Mas será que um estímulo tão curto pode ter um impacto real em nossos corpos? As evidências científicas são categóricas: funciona, e funciona muito bem.

— A prática regular de exercícios físicos não elimina completamente os efeitos negativos de ficar sentado por longos períodos. Por isso surgiu o conceito de "sedentário ativo": pessoas que cumprem as recomendações de atividade física, mas passam grande parte do dia imóveis. Esse padrão tem se mostrado associado a diversos problemas de saúde — alerta o médico Ramiro Heredia.

Segundo Heredia, quando permanecemos sentados por períodos prolongados, a atividade contrátil dos grandes músculos, localizados principalmente nas pernas e nádegas, diminui. Isso reduz o consumo de glicose pelo músculo, diminui o gasto energético e promove menor sensibilidade à insulina. Além disso, o corpo foi projetado para se movimentar com frequência.

— Do ponto de vista biológico, não há grande diferença entre ficar sentado por oito horas seguidas ou deitado a maior parte do dia: em ambos os casos, milhares de pequenas contrações musculares que regulam o metabolismo desaparecem. É por isso que hoje, exercícios regulares e pausas frequentes no comportamento sedentário são considerados dois objetivos complementares, e não intercambiáveis, para a quantidade de atividade física associada a uma vida saudável — afirma Heredia.

Os benefícios dos lanches pós-exercício não se limitam ao coração: seu impacto mais imediato é observado no controle metabólico, especificamente na forma como o corpo gerencia a glicose no sangue.

— Quando um músculo se contrai vigorosamente, sua demanda energética aumenta abruptamente. Para suprir essa necessidade, as fibras musculares ativam mecanismos que lhes permitem absorver glicose diretamente do sangue, mesmo sem depender inteiramente da insulina. Simplificando, durante esses poucos minutos, o músculo se torna um poderoso consumidor de glicose — explica o médico.

No nível cardiovascular, ocorre algo semelhante.

— A frequência cardíaca aumenta rapidamente, o débito cardíaco sobe e o fluxo sanguíneo pelas artérias aumenta. Esse aumento do fluxo gera um fenômeno conhecido como estresse de cisalhamento, que estimula o endotélio vascular a liberar óxido nítrico, uma molécula essencial para a manutenção da saúde arterial. Portanto, mesmo que cada episódio seja breve, a repetição desses estímulos várias vezes ao dia pode produzir melhorias no controle glicêmico, na função vascular e na capacidade cardiorrespiratória — resume o médico.

Como colocar isso em prática

Qual o nível de esforço que uma pessoa deve atingir? A intensidade é provavelmente o fator mais importante.

— Não existe uma frequência cardíaca ideal que sirva para todos, pois depende da idade, da condição física e de condições pré-existentes. No entanto, a maioria dos estudos utiliza esforços moderados a vigorosos, próximos ao ponto em que a respiração se torna claramente difícil — esclarece o especialista.

Para quem não tem dispositivos de monitoramento, a ferramenta mais útil é o chamado "teste da fala": se a pessoa consegue falar enquanto se exercita, a intensidade é baixa. Se mal consegue pronunciar algumas palavras antes de precisar respirar, a intensidade é vigorosa.

— Subir escadas rapidamente por 1 ou 2 minutos é provavelmente o exemplo mais estudado e o mais fácil de reproduzir na vida real — resume ele.

Para Fernando Palavecino, formado em alto rendimento e professor de educação física, o movimento não deve ser um evento isolado no dia, mas sim um hábito integrado. O treino planejado desenvolve a capacidade, mas as pausas ativas ajudam a evitar que o corpo passe 8 ou 10 horas em modo sedentário.

Uma boa estratégia no ambiente de trabalho pode ser incorporar uma pausa ativa a cada 60 a 90 minutos. O objetivo é lembrar o corpo de que ele foi feito para se movimentar.

— Não se trata de substituir a academia, o treinamento de força ou os exercícios, mas de adicionar movimento onde antes havia inatividade. A melhor atividade física é aquela que você consegue manter ao longo do tempo. Pequenas pausas para exercícios são uma ferramenta simples para transformar um dia sedentário em um dia mais ativo — afirma Palavecino.

Segundo o treinador, existem diversas alternativas que podem ser ativadas durante o dia:

  • Evite o elevador e suba as escadas em um ritmo acelerado de 1 a 3 minutos.

  • Faça agachamentos entre as tarefas ou chamadas.

  • Faça flexões de braço apoiando-se em uma parede ou mesa.

  • Faça caminhadas rápidas de 5 minutos após as refeições.

  • Levante os calcanhares (panturrilhas) enquanto espera por uma reunião ou enquanto toma um café.

  • Realize pausas para mobilidade: rotações do tronco, braços e pescoço.

  • Caminhando enquanto atende ligações telefônicas.

  • Alongamentos ou alongamentos breves (20 segundos por grupo muscular), utilizando a cadeira e a mesa como elementos.

Microdoses de exercício não substituem o treino de força ou as sessões de resistência: seu verdadeiro superpoder é ser uma ferramenta democrática, acessível e gratuita para se manter ativo.

‘Snacks de exercícios’: os benefícios de subir escadas durante três minutos por diahttps://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/07/21/snacks-de-exercicios-os-beneficios-de-subir-escadas-durante-tres-minutos-por-dia.ghtmlOpen linkView original on lemmy.eco.br
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Café: Associação Americana do Coração revela a quantidade ideal de xícaras por dia para melhorar a saúde

Café: Associação Americana do Coração revela a quantidade ideal de xícaras por dia para melhorar a saúde

Consumir até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a cerca de cinco xícaras de 240 ml de café, é seguro e parece estar associado a um menor risco de doenças cardiovasculares

^20/07/2026 09h28 Atualizado 20/07/2026 09h34^

Associação Americana do Coração revela a quantidade ideal de xícaras de café por dia para melhorar a saúde. Associação Americana do Coração revela a quantidade ideal de xícaras de café por dia para melhorar a saúde. — Foto: Unsplash RESUMO

Entre as bebidas mais consumidas do mundo, o café está presente na rotina de quase todos os brasileiros. Cerca de 96% da população recorre a uma xícara diariamente, segundo levantamento do Instituto Axxus encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). E, para muita gente, uma só não basta. Quase metade (44%) diz tomar entre três e cinco cafezinhos por dia. Mas isso faz bem para a saúde? Qual o limite?

Uma nova declaração científica da Associação Americana do Coração (AHA, da sigla em inglês) traz a resposta. Os responsáveis fizeram uma revisão dos estudos mais recentes conduzidos sobre o tema e concluíram que consumir até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a cerca de cinco xícaras de 240 ml de café, é seguro e parece estar associado a um menor risco de doenças cardiovasculares. O documento foi publicado na revista científica Circulation nesta segunda-feira.

"A cafeína consumida por meio do café faz parte da rotina diária de milhões de pessoas e, em nossa revisão das pesquisas mais recentes, constatamos que, para a maioria dos adultos, a ingestão de até 400 mg de cafeína por dia, o equivalente a até cinco xícaras de café com cafeína sem adição de açúcar ou outros ingredientes, é segura e não aumenta o risco cardiovascular. No entanto, altas doses de cafeína, como as encontradas em bebidas energéticas e 'energy shots', podem ter efeitos prejudiciais ao coração e devem ser evitadas”, resume Gregory M. Marcus, professor de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e vice-chefe de pesquisa em cardiologia da UCSF Health, que coordenou o grupo responsável pela elaboração da declaração científica, em comunicado.

Para chegar às conclusões, os autores analisaram as evidências mais atualizadas sobre o café e o possível impacto da cafeína no risco de hipertensão arterial, colesterol, diabetes tipo 2, doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, outras arritmias e diferentes condições cardiovasculares. Foi considerado que uma xícara de café coado tradicional normalmente contém entre 9,4 e 20,6 mg de cafeína por 30 ml da bebida.

De um modo geral, o consumo de café com cafeína sem adição de açúcar, aromatizantes ou creme foi associado a um menor risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas, AVC, insuficiência cardíaca e alguns tipos de arritmias. Ensaios clínicos randomizados, considerados o padrão-ouro de pesquisa, também mostraram um menor risco de fibrilação atrial, embora tenham sugerido maior ocorrência de contrações ventriculares prematuras.

"Embora as pesquisas sugiram que o consumo de cafeína possa estar associado a alguns benefícios cardiovasculares para determinadas pessoas, é importante lembrar que não existe uma estratégia única que sirva para todos quando o assunto é consumo seguro de cafeína. As pessoas respondem de formas muito diferentes à substância, dependendo de fatores como idade, medicamentos em uso, condições de saúde, genética e velocidade de metabolização. O que é uma quantidade razoável para uma pessoa pode provocar efeitos indesejados em outra, como palpitações, ansiedade ou alterações do sono. Por isso, é importante observar como seu organismo reage à cafeína e conversar com a equipe de saúde para definir o que é mais adequado para você", acrescenta Marcus.

Segundo os pesquisadores, a adição de açúcar, xaropes saborizados, leite e creme provavelmente reduz os benefícios observados Oà saúde. Além disso, a ingestão de níveis elevados de cafeína, como os encontrados em bebidas energéticas, foi associada a danos cardiovasculares, incluindo maior risco de hipertensão e alterações do ritmo cardíaco.

Os autores também destacam que são necessárias mais pesquisas para investigar os efeitos de diferentes tipos de produtos com cafeína. Em relação a chás, por exemplo, há menos estudos, porém as evidências sugerem também um menor risco de fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e AVC.

No entanto, bebidas energéticas, barras energéticas, géis e suplementos à base de cafeína frequentemente contêm outros ingredientes que podem aumentar a absorção da cafeína, acelerar seus efeitos no organismo, elevar a pressão arterial e ampliar o risco de danos cardiovasculares.

Impactos específicos da cafeína na saúde

  • Doenças cardiovasculares e AVC: O consumo de duas a quatro xícaras de café com cafeína por dia foi associado a menor risco de doença cardíaca, insuficiência cardíaca e AVC. No entanto, ingerir mais de quatro xícaras diárias pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca.

  • Pressão arterial: Varia conforme a quantidade ingerida. Em pessoas com pressão normal, consumir de uma a três xícaras por dia foi associado a maior risco de desenvolver hipertensão, enquanto a ingestão de mais de três xícaras diárias foi associada a menor risco. Por outro lado, doses elevadas de cafeína podem elevar significativamente a pressão arterial, sobretudo em pessoas que já têm hipertensão.

  • Diabetes tipo 2: Pesquisas sugerem que o café com cafeína pode reduzir temporariamente a sensibilidade à insulina. Apesar disso, o consumo regular de café preto com cafeína, sem aditivos, foi associado a menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os autores ressaltam, porém, que esse benefício pode estar relacionado a outros compostos presentes no café, e não necessariamente à cafeína.

  • Colesterol: Estudos indicam que o cafestol, substância presente tanto no café com cafeína quanto no descafeinado, está associado ao aumento do colesterol LDL, o “ruim”. O cafestol é encontrado em cafés não filtrados, como espresso, prensa francesa, café turco e café fervido, mas praticamente não está presente no café preparado com filtro de papel nem no café solúvel. Mais estudos são necessários para identificar quais preparações contêm maiores quantidades da substância e entender seus mecanismos de ação.

  • Ritmo cardíaco: Não foi encontrada associação entre consumir de uma a três xícaras de café com cafeína por dia e aumento do risco de fibrilação atrial ou outras arritmias em estudos mais recentes. Entretanto, essa mesma quantidade pode estar relacionada ao aumento de contrações ventriculares prematuras (PVCs). Doses muito elevadas de cafeína foram ligadas ao surgimento de arritmias mesmo em pessoas consideradas de baixo risco cardiovascular, como adultos saudáveis com menos de 30 anos.

Os autores destacam que estudar os efeitos da cafeína sobre o sistema cardiovascular é um desafio, pois os efeitos observados podem ser consequência de outros compostos presentes no café. Estudos experimentais sugerem, por exemplo, que substâncias bioativas do café possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, o que pode explicar parte dos benefícios à saúde

Além disso, é difícil separar os efeitos da cafeína dos de ingredientes frequentemente adicionados ao café, como leite, creme, xaropes saborizados e açúcar. Outro fator é que a maioria dos estudos sobre cafeína é observacional, o que impede estabelecer uma relação direta de causa e efeito.

Café: Associação Americana do Coração revela a quantidade ideal de xícaras por dia para melhorar a saúdehttps://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/07/20/cafe-associacao-americana-do-coracao-revela-a-quantidade-ideal-de-xicaras-por-dia-para-melhorar-a-saude.ghtmlOpen linkView original on lemmy.eco.br
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Canetas emagrecedoras podem criar um novo tipo de dieta ioiô

Canetas emagrecedoras podem criar um novo tipo de dieta ioiô

Ciclo de perda e ganho de peso virou algo comum com interrupção e retorno do tratamento

^18/07/2026 10h52 Atualizado 18/07/2026 10h52^

Para muitas pessoas que vivem com obesidade, os medicamentos mais recentes para perda de peso, como o Wegovy e Mounjaro, têm sido transformadores. Esses medicamentos costumam ser classificados como GLP-1, pois imitam hormônios liberados após as refeições, ajudando as pessoas a se sentirem mais saciadas e com menos fome. O Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, também atua sobre outro hormônio envolvido no apetite e no controle da glicemia.

Em um momento em que mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo são consideradas obesas, esses medicamentos são amplamente considerados um dos maiores avanços no tratamento da obesidade. Mas uma questão importante está se tornando cada vez mais difícil de ignorar: o que acontece quando as pessoas param de tomá-los?

As evidências apontam para uma resposta incômoda. Muitas pessoas recuperam uma parte significativa do peso que perderam. Um estudo recente constatou que, após as pessoas interromperem o uso dos medicamentos para emagrecer, o peso e vários indicadores de saúde cardíaca tenderam a retornar aos níveis pré-tratamento com o passar do tempo. Outros estudos observaram padrões semelhantes após a interrupção do uso de semaglutida e tirzepatida.

Isso faz sentido do ponto de vista biológico. Esses medicamentos atuam em parte reduzindo o apetite e aumentando a sensação de saciedade. As pessoas costumam descrever isso como uma redução no “ruído alimentar”, ou seja, os pensamentos intrusivos, os desejos ou os impulsos relacionados à alimentação que podem dificultar a redução da ingestão de alimentos. Quando o tratamento é interrompido, esses efeitos dos medicamentos desaparecem. A fome e os desejos podem retornar. Se a pessoa consumir mais calorias do que seu corpo gasta, o ganho de peso volta a ser mais provável.

Isso levanta a possibilidade de um novo tipo de ciclo de perda de peso.

Há décadas, pesquisadores e médicos vêm alertando sobre o efeito ioiô, o padrão repetitivo de perder peso, recuperá-lo e tentar novamente. Uma versão farmacêutica desse ciclo pode estar surgindo agora.

Uma pessoa pode iniciar um tratamento medicamentoso, perder uma quantidade significativa de peso, sentir-se mais saudável e, em seguida, interromper o tratamento devido ao custo, aos efeitos colaterais, às regras de elegibilidade, à escassez do medicamento ou por escolha pessoal. Nos meses seguintes, o apetite retorna, os hábitos alimentares mudam e o peso começa a voltar gradualmente. Diante do peso recuperado, a pessoa busca outra receita e reinicia o tratamento. Ela perde peso novamente. Em seguida, o ciclo se repete.

Isso não deve ser interpretado como uma crítica aos medicamentos. Eles podem ser altamente eficazes e, para muitas pessoas, clinicamente valiosos. O problema é a discrepância entre as expectativas do público e a realidade do controle da obesidade. Muitas pessoas, compreensivelmente, esperam que esses tratamentos ofereçam uma solução permanente. Mas a obesidade é cada vez mais reconhecida como uma condição de saúde complexa e crônica, influenciada pela biologia, pelo comportamento, pelo ambiente e pela desigualdade. Geralmente, é necessário apoio de longo prazo para o controle do peso.

Para os profissionais de saúde, o tratamento com GLP-1 pode ser melhor compreendido como uma janela de oportunidade. A redução da fome pode facilitar a criação de hábitos que favoreçam a manutenção do peso, incluindo refeições regulares, atividade física, planejamento para os momentos em que os desejos por comida são mais prováveis e a busca por maneiras práticas de lidar com eles. O medicamento pode criar as condições nas quais a mudança se torna mais viável. Não se deve esperar que ele faça todo o trabalho sozinho.

Isso chama a atenção para uma parte do tratamento da obesidade que pode ser ofuscada pelo entusiasmo em torno de novos medicamentos: a mudança comportamental sustentável. O apetite é importante, mas é apenas uma parte de um quadro mais amplo. Hábitos alimentares, atividade física, saúde mental, dor, sono, medicamentos, renda, responsabilidades de cuidado, padrões de trabalho e os alimentos aos quais as pessoas têm fácil acesso e podem pagar — tudo isso influencia o peso corporal.

Os medicamentos para perda de peso podem facilitar a mudança de comportamento ao reduzir a fome. Mas eles não alteram automaticamente as circunstâncias em que as pessoas vivem. Isso pode ajudar a explicar por que o apoio focado em hábitos de longo prazo e na resolução prática de problemas continua sendo importante, mesmo quando se utilizam medicamentos. Quando as pessoas desenvolvem rotinas que conseguem manter, algumas dessas mudanças podem continuar após o término de um programa, embora a manutenção do peso continue sendo difícil para muitas pessoas.

As implicações vão além dos pacientes individuais. À medida que cresce a demanda por GLP-1 e medicamentos relacionados, um número cada vez maior de pessoas pode continuar a tomá-los por anos. Para pessoas com obesidade grave ou complicações de saúde relacionadas ao peso, o tratamento de longo prazo pode ser clinicamente adequado. Ao mesmo tempo, órgãos reguladores, como os do Reino Unido, alertaram que os medicamentos à base de GLP-1 não devem ser usados para perda de peso por motivos estéticos por pessoas que não atendem aos critérios médicos.

Como a interrupção do tratamento costuma levar à recuperação de peso, algumas pessoas podem se sentir pressionadas a continuar tomando o medicamento indefinidamente. Outras podem passar por ciclos repetidos de tratamento, especialmente se o acesso depender de pagamentos do próprio bolso, elegibilidade nos sistemas de saúde públicos, disponibilidade ou mudanças nas circunstâncias pessoais.

Isso cria um novo desafio. Em vez de alternar entre dietas, algumas pessoas podem acabar alternando entre prescrições. As evidências atuais sugerem que esses medicamentos são geralmente seguros quando prescritos e monitorados adequadamente, mas o uso em toda a população nessa escala ainda é novo. Efeitos colaterais, uso indevido, produtos falsificados e uso fora dos critérios médicos de elegibilidade exigem atenção cuidadosa.

Nada disso diminui a importância do GLP-1 e dos medicamentos relacionados. Eles proporcionaram benefícios que os tratamentos anteriores tinham dificuldade em alcançar. Mas a próxima questão para a medicina da obesidade talvez seja menos sobre quanto peso as pessoas podem perder enquanto os tomam e mais sobre de que tipo de apoio elas precisam caso interrompam o tratamento.

Se o sucesso a longo prazo depender inteiramente da supressão do apetite por meio de medicamentos, o ciclo familiar de perder peso e recuperá-lo pode não desaparecer. Ele pode simplesmente assumir uma nova forma, ligada tanto à receita médica quanto ao plano alimentar.

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Adoçantes podem interferir na saúde intestinal, revela nova pesquisa [in vitro]

Adoçantes podem interferir na saúde intestinal, revela nova pesquisa

Cientistas criaram comunidade sintética de microrganismos para testar o impacto das substâncias

^18/07/2026 10h13 Atualizado há 6 horas^

Adoçantes populares podem interferir diretamente no crescimento de bactérias que ajudam a manter a saúde intestinal, concluiu uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

No estudo, publicado na revista científica Molecular Systems Biology, a equipe investigou como adoçantes artificiais e de baixa caloria influenciam as bactérias intestinais. Também avaliaram se esses efeitos mudam quando os adoçantes são combinados com substâncias presentes em alimentos, bebidas e medicamentos.

O efeito mais intenso foi observado quando os pesquisadores combinaram o isosteviol, um adoçante utilizado pela indústria de alimentos e bebidas, com o antidepressivo duloxetina. Juntos, os dois compostos reduziram de forma acentuada o crescimento de duas importantes espécies de bactérias associadas à saúde digestiva, ao controle da glicemia e ao funcionamento do sistema imunológico.

Apesar do uso disseminado dos adoçantes, relativamente poucos estudos investigaram se eles afetam diretamente espécies específicas de bactérias intestinais.

"O que sabemos sobre os possíveis impactos dos adoçantes na saúde vem, em grande parte, de estudos com animais ou de pesquisas populacionais. Embora esses trabalhos indiquem que o microbioma possa mediar os efeitos dos adoçantes, é difícil determinar exatamente como eles atuam no organismo — se por meio de interações diretas com as bactérias intestinais", afirmou Kiran Patil, da Unidade de Toxicologia do Conselho de Pesquisa Médica (MRC) da Universidade de Cambridge, ao site ScienceDaily

Os adoçantes estão presentes em inúmeros produtos do dia a dia, como refrigerantes, balas, sobremesas, cereais matinais, salgadinhos e até alguns medicamentos. Em geral, são promovidos como alternativas que proporcionam sabor doce com menos açúcar ou menos calorias.

No entanto, um número crescente de estudos tem associado o consumo desses produtos a condições como diabetes tipo 2, obesidade e câncer. Essas associações não significam que os adoçantes causem diretamente essas doenças, mas a ciência tem buscado compreender os mecanismos biológicos que poderiam explicar essa relação.

No teste, a equipe cultivou separadamente, em laboratório, 25 espécies de bactérias, incluindo microrganismos considerados benéficos, neutros e potencialmente prejudiciais.

Cada espécie foi então exposta a 39 adoçantes comercialmente utilizados, tanto naturais quanto artificiais. Os pesquisadores monitoraram a velocidade de multiplicação das bactérias e verificaram se seu crescimento diminuía ou era interrompido.

Cerca de três quartos dos adoçantes afetaram o crescimento de pelo menos uma espécie bacteriana. Vários deles reduziram ou interromperam completamente o crescimento de bactérias associadas à saúde intestinal.

Uma das perguntas que os cientistas pretendiam investigar era como essas substâncias interagem com outros alimentos e remédios do dia a dia. Isso porque as pessoas raramente consomem um adoçante isoladamente. Ele pode estar presente ao lado da cafeína em uma bebida, de aromatizantes em uma sobremesa ou de princípios ativos em medicamentos.

Mas nenhuma bactéria intestinal também existe separadamente. O microbioma é uma complexa rede de microrganismos coabitando um ambiente. Para emular essa correlação, os cientistas criaram uma comunidade microbiana sintética contendo as 25 espécies bacterianas analisadas.

Para tentar dar conta de todas essas complexidades, os pesquisadores ainda combinaram os adoçantes com substâncias como cafeína, vanilina (composto responsável pelo aroma da baunilha), advantame (um adoçante artificial) e oito medicamentos de uso comum.

A equipe identificou mais de cem situações em que o efeito de um adoçante foi alterado pela presença de outro composto. Em 34 casos, o efeito combinado tornou-se mais intenso; em 68, foi reduzido.

"Responder a essa pergunta é ainda mais complicado porque raramente consumimos adoçantes isoladamente. Eles costumam estar presentes em bebidas, lanches ou até medicamentos, onde são usados para mascarar o sabor amargo", acrescentou Sonja Blasche, autora principal do estudo e também integrante da Unidade de Toxicologia do MRC.

O resultado mais marcante envolveu a combinação de isosteviol com duloxetina, antidepressivo utilizado no tratamento da depressão, da ansiedade e de alguns tipos de dor crônica.

Quando administrados em conjunto, os compostos inibiram fortemente o crescimento das bactérias Roseburia intestinalis e Parabacteroides merdae. Ambas são consideradas componentes importantes do microbioma intestinal e já foram associadas à saúde digestiva e ao metabolismo.

Os cientistas ressaltam, porém, que os experimentos foram conduzidos em laboratório, e não em seres humanos. Por isso, serão necessários novos estudos para determinar se as alterações observadas nas bactérias intestinais produzem efeitos relevantes para a saúde em condições reais.

No organismo humano, os adoçantes podem ser absorvidos, sofrer alterações químicas, ser diluídos ou degradados antes de entrar em contato com determinadas bactérias. Além disso, fatores como dieta, genética, uso de medicamentos e a composição prévia do microbioma podem modificar os resultados.

Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que alguns adoçantes não são substâncias biologicamente inertes que simplesmente atravessam o sistema digestivo sem interagir com os microrganismos que vivem no intestino.

Segundo os pesquisadores, os resultados levantam a possibilidade de que interações entre adoçantes, medicamentos e microrganismos possam influenciar não apenas a digestão, mas também outros processos do organismo. Ainda assim, o sistema experimental simplificado não reproduz toda a complexidade do corpo humano.

"Os adoçantes costumam ser comercializados como metabolicamente neutros, mas nosso estudo questiona essa ideia. Verificamos que eles podem afetar diretamente as bactérias intestinais, sobretudo quando combinados com outras substâncias, como medicamentos e aditivos alimentares. Essas combinações comuns podem produzir efeitos não intencionais sobre o microbioma intestinal", afirmou Blasche.

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Câmbio manual exige mais do cérebro? Cientista japonês revela detalhe curioso sobre o terceiro pedal

Câmbio manual exige mais do cérebro? Cientista japonês revela detalhe curioso sobre o terceiro pedal

Estudo japonês aponta uma diferença pouco lembrada entre dirigir com três pedais e deixar o carro trocar marchas sozinho

^02/07/2026 - 10:25 - Atualizada em: 02/07/2026 - 10:34^

O câmbio manual está virando quase uma peça de resistência em um mercado dominado por carros automáticos, híbridos e elétricos. Mas, justamente quando o terceiro pedal perde espaço, uma linha de pesquisa no Japão voltou a chamar atenção para um detalhe curioso: dirigir um carro manual pode exigir mais do cérebro do que conduzir um automático.

A explicação não tem a ver com nostalgia, ronco de motor ou prazer ao volante. O ponto levantado pelo neurocientista Ryuta Kawashima, da Universidade de Tohoku, é que o motorista de um carro manual precisa coordenar mais ações ao mesmo tempo: embreagem, acelerador, alavanca, velocidade, trânsito e momento certo da troca de marcha.

Essa combinação faz o cérebro trabalhar mais do que em um carro automático, especialmente em situações que exigem atenção, adaptação e tomada de decisão rápida.

O que o cérebro faz quando você troca marcha no câmbio manual

Em um carro automático, boa parte da tarefa fica nas mãos do próprio sistema. O motorista acelera, freia e conduz. Já no manual, ele precisa decidir quando trocar a marcha, dosar a embreagem, evitar trancos, perceber a rotação do motor e reagir ao fluxo do trânsito.

Segundo Kawashima, essas tarefas podem ativar mais a região pré-frontal do cérebro, ligada a funções como atenção, planejamento, memória de trabalho e tomada de decisão. Em entrevista à JAF Mate, publicação ligada à federação automobilística japonesa, o pesquisador explicou que dirigir por rotas conhecidas e em um carro familiar tende a deixar o cérebro em estado mais relaxado. Mas a atividade aumenta quando surgem curvas, cruzamentos, riscos ou tarefas menos automáticas.

É aí que entra o câmbio manual. De acordo com o neurocientista, quando alguém acostumado a carro automático dirige um manual, especialmente um veículo que exige trabalho fino de embreagem, a região pré-frontal dorsolateral fica mais ativa. O mesmo raciocínio apareceu em testes com motos: modelos com embreagem e câmbio manual estimularam mais o cérebro do que scooters automáticos.

A pegadinha: o efeito pode diminuir com o costume

O detalhe mais importante é que isso não transforma o carro manual em uma espécie de “remédio” para o cérebro. O próprio Kawashima aponta que a ativação tende a ser maior quando há necessidade de decisão e adaptação.

Se o motorista já está acostumado ao carro, ao trajeto e à troca de marchas, parte desse esforço também pode virar rotina. A condução deixa de exigir tanto raciocínio consciente e passa a ser executada de forma mais automática pelo corpo.

Isso muda bastante a interpretação da pesquisa. A ideia não é que qualquer motorista de carro manual esteja treinando o cérebro o tempo todo. O ponto é que o manual cria mais oportunidades de atenção ativa do que um automático, principalmente quando a condução exige ajuste fino, trânsito intenso, aclives, reduções e mudanças constantes de velocidade.

O estudo das motos reforça a curiosidade

A relação entre condução e cérebro não apareceu apenas nos carros. Um estudo preliminar publicado no Japão acompanhou 22 homens adultos saudáveis, divididos entre um grupo que voltou a andar de moto no cotidiano por dois meses e outro grupo de controle. No fim do período, o grupo que pilotou apresentou melhora em cognição visuoespacial em comparação com o controle.

Em outro evento no Japão, Kawashima também destacou experimentos iniciados em 2008 sobre motos e cérebro. Segundo a apresentação, dirigir carro manual, moto off-road e moto de média cilindrada mostrou tendência de maior atividade no córtex pré-frontal. Na comparação entre moto com câmbio e scooter, a moto exigiu mais atividade em diferentes cenários de condução.

Ainda assim, é preciso cautela. As pesquisas ajudam a mostrar que tarefas de condução mais exigentes ativam mais o cérebro, mas não provam que dirigir manual previne demência, evita envelhecimento cognitivo ou torna alguém mais inteligente.

O terceiro pedal virou artigo de nicho

Durante décadas, o câmbio manual foi associado a carros mais baratos, manutenção mais simples e maior controle do motorista. Hoje, em muitos segmentos, a lógica mudou. SUVs, sedãs médios, picapes, híbridos e elétricos já aparecem quase sempre com transmissão automática, CVT, automatizada ou sistemas sem troca de marcha convencional.

Com isso, o manual começa a ficar concentrado em carros de entrada, versões de trabalho e alguns esportivos voltados a entusiastas.

A tendência ficou tão forte que algumas marcas passaram até a estudar maneiras de simular trocas de marcha em carros elétricos. A Porsche, por exemplo, preparou para o Taycan 2027 um sistema chamado E-Shift, capaz de imitar trocas por borboletas, conta-giros digital e efeitos sonoros, ainda que o carro continue sendo elétrico.

Câmbio manual exige mais do cérebro? Cientista japonês revela detalhe curioso sobre o terceiro pedalhttps://www.nsctotal.com.br/noticias/cambio-manual-exige-mais-do-cerebro-ciencia-revela-detalhe-curioso-sobre-o-terceiro-pedalOpen linkView original on lemmy.eco.br
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Nestlé ajusta receitas para nova era do Ozempic e Mounjaro | Gigante de alimentos tem testado produtos embalados para entender como os medicamentos GLP-1 alteram o paladar

Nestlé ajusta receitas para nova era do Ozempic e Mounjaro

Gigante de alimentos tem testado produtos embalados para entender como os medicamentos GLP-1 alteram o paladar

^Por Aimee Look^
^8 jul. 2026 | 06h03 |^

A Nestlé pretende intensificar o sabor de alguns de seus produtos para compensar a redução da sensibilidade do paladar que pode acompanhar o uso de medicamentos GLP-1 para perda de peso.

Com um número crescente de pessoas usando tratamentos com GLP-1 para emagrecimento, as empresas de alimentos enfrentam tanto uma oportunidade quanto uma ameaça crescente, especialmente nas categorias de snacks, que há muito dependem de sabores associados a alimentos mais calóricos. Produtos industrializados estão perdendo espaço à medida que consumidores optam por porções menores e menos lanches entre as refeições.

Diante dessa mudança nos hábitos alimentares, a Nestlé tem testado alimentos embalados com consumidores para entender como o paladar se altera, afirmou seu diretor global de marketing, David Rennie, em entrevista.

“As pessoas não querem comer tanto quando estão usando GLP-1, e o perfil de sabor delas também muda”, disse Rennie. “Os GLP-1 de certa forma deixam o paladar menos aguçado.”

A percepção das cinco características básicas de sabor — doce, salgado, azedo, amargo e umami — foi reduzida pelo uso de medicamentos GLP-1, segundo um estudo publicado em uma edição de 2025 da revista científica Physiology & Behavior.

Os chefs da Nestlé, ao desenvolverem novas combinações de sabores, vão trabalhar com pessoas que usam GLP-1 para encontrar o nível adequado de sabor, afirmou Rennie. Isso pode incluir a adição de mais especiarias ou pimenta, disse ele.

A empresa possui uma linha de refeições congeladas chamada Vital Pursuit voltada especificamente para pessoas que usam medicamentos para perda de peso, mas nem todos os consumidores se sentem atraídos por produtos com o rótulo “compatível com GLP-1”.

A Nestlé ajusta muitos de seus produtos para atrair usuários de medicamentos para emagrecimento, mas nem sempre altera as embalagens ou direciona a comunicação explicitamente a esse público, afirmou Rennie.

Existem diferentes perfis de consumidores entre os usuários de GLP-1, e as empresas precisam ser sensíveis — nem todos que usam medicamentos para perda de peso querem ser lembrados de que estão fazendo esse tratamento. Segundo Rennie, essas pessoas têm necessidades médicas e emocionais diferentes, algo que as marcas precisam considerar.

Para atingir usuários de GLP-1 de maneira mais indireta, a Nestlé está imprimindo rótulos nutricionais mais claros nas embalagens e alterando alguns tamanhos de porção. Isso inclui a categoria de snacks, na qual, segundo Rennie, consumidores buscam produtos de boa qualidade, mas em versões menores.

A Nestlé também tem lançado novos formatos com foco em proteína e fibras, como a bebida de chocolate maltado Milo em uma versão com alto teor de proteína, afirmou o executivo.

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Custo de uma alimentação saudável aumentou 25% em apenas 5 anos, segundo a FAO

Custo de uma alimentação saudável aumentou 25% em apenas 5 anos, segundo a FAO

Os alimentos básicos, como cereais e leguminosas, representam 13% do custo de uma alimentação saudável

^Por AFP^
^16/07/2026 10h55 • Atualizado há um dia^

O custo de uma alimentação saudável aumentou 25% em cinco anos e quase uma em cada três pessoas no mundo não tem acesso a ela, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Esse custo chega a 4,28 dólares por pessoa por dia (cerca de R$ 22,00 na cotação atual), conforme indica o relatório de 2026 da FAO sobre o estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo, que será apresentado na próxima terça-feira na sede da organização, em Roma.

— Como consequência, 2,69 bilhões de pessoas, ou seja, quase uma em cada três pessoas no mundo, continuam sem poder arcar com uma alimentação saudável — afirmou Máximo Torero Cullen, economista-chefe da FAO, durante uma coletiva de imprensa na sede da ONU em Nova York.

A região onde esse custo é mais elevado é a América Latina, mais precisamente o Caribe, detalhou o especialista. Segundo ele, isso pode ser explicado pelo fato de esses países darem prioridade às exportações em vez de garantirem uma oferta suficiente e diversificada para os mercados locais.

Os alimentos básicos, como cereais e leguminosas, representam 13% do custo de uma alimentação saudável, em comparação com quase 30% dos produtos de origem animal e, sobretudo, 16% das frutas e verduras.

— O desafio não é produzir calorias suficientes, e sim tornar os alimentos ricos em nutrientes mais acessíveis — destacou Torero Cullen. Ele acrescentou que a produção local reduziria o custo de uma alimentação saudável em 34% em todo o mundo e em quase 80% na África.

O especialista da FAO também recomenda reorientar os subsídios públicos para alimentos mais ricos em nutrientes, em vez de direcioná-los aos cereais.

Também defende investimentos em logística e infraestrutura local, como estradas e armazenamento, já que "entre 70% e 75% do custo de uma alimentação saudável é gerado depois que os alimentos saem da fazenda".

Custo de uma alimentação saudável aumentou 25% em apenas 5 anos, segundo a FAOhttps://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/07/16/custo-de-alimentacao-saudavel-subiu-25percent-em-cinco-anos-indica-fao.ghtmlOpen linkView original on lemmy.eco.br
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Crianças podem praticar corrida? Veja o que dizem os especialistas

Crianças podem praticar corrida? Veja o que dizem os especialistas

Apertar o passo pode fazer parte das brincadeiras infantis desde o início, mas treinos estruturados de corrida devem começar apenas depois dos 12 anos, com progressão lenta e supervisão de profissionais

^Por Bernardo Yoneshigue — Rio de Janeiro^
^14/07/2026 04h30 Atualizado há 13 horas^

Quilômetro por quilômetro, a febre das corridas avança em ritmo acelerado e ganha cada vez mais adeptos pelo país. Para muitos, o apelo é simples: basta disposição e um tênis no pé para sair às ruas e dar uma chance ao esporte. Mas e para crianças e adolescentes, será que é tão simples começar a correr?

Especialistas explicam que a corrida de forma lúdica, como parte das brincadeiras da infância, é mais do que permitida desde cedo: traz benefícios que vão do desenvolvimento motor a evitar o sedentarismo. Porém, quando o assunto é a corrida estruturada como um treino, incluindo a participação em provas, há sim um cuidado que precisa se ter, e a prática não deve começar antes dos 12 anos.

— Correr como parte da brincadeira pode começar na infância, em qualquer idade. Mas a corrida mesmo só deve começar por volta dos 11 a 12 anos. Até essa idade, o foco é brincar e diversificar os esportes. A partir dos 12, pode ser introduzida uma corrida leve e técnicas de movimento e, dos 14, o treino estruturado com progressão de no máximo 10% de volume por semana — diz Ana Paula Simões, médica do esporte e ortopedista, diretora da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE).

É como pensa também Pedro Henrique Deon, professor da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde coordena o Centro do Movimento. Ele explica que o cuidado vai variar conforme a fase de desenvolvimento do indivíduo:

— Na infância, o mais importante é que a corrida não seja tratada como treino de rendimento. Ao longo da adolescência, a prática pode começar a ganhar um pouco mais de organização, mas ainda exige atenção especial. É uma fase em que o corpo está mudando rápido, e isso pede mais cuidado com carga de treino, recuperação, técnica de movimento, hidratação, sono e alimentação. Também é importante observar se o jovem está conseguindo se adaptar bem, sem dor persistente, cansaço excessivo ou perda de prazer pela atividade.

De forma prática, Hugo Tourinho Filho, professor da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP/USP), explica que dos 2 aos 6 anos, quando o foco é o desenvolvimento motor global, as corridas devem ser restritas a tiros curtos integrados a brincadeiras, como pega-pega, sem qualquer foco em desempenho.

Já dos 7 aos 11, ocorre uma fase de importante avanço motor da criança. O cuidado principal é evitar a especialização precoce: a corrida deve ser complementar a outros esportes e realizada em superfícies macias para preservar as estruturas, como ossos, músculos e articulações.

— Dos 12 aos 15 anos, temos a fase de estirão do crescimento. Deve-se monitorar de perto as dores nas articulações para evitar lesões por sobrecarga. O treinamento passa a ser mais estruturado, mas ainda priorizando a técnica sobre o volume. Exercícios educativos de corrida contribuem para que o adolescente possa se adaptar às novas dimensões de seu corpo. E, dos 16 aos 18, quando ocorre a maturação final, permite-se o aumento gradual de volume e treinos de força, desde que supervisionados — complementa o especialista.

Deon destaca que, em todas as faixas etárias, deve-se evitar sempre aumentos bruscos de volume e de intensidade. Quando a corrida já é mais estruturada em forma de treino, é mais importante garantir que o jovem tolere bem a carga, com a recuperação adequada entre as atividades, do que acumular quilômetros na planilha.

— Alguns pontos são fundamentais, como respeitar períodos de descanso, não antecipar distâncias longas, garantir supervisão adequada e lembrar que, nessa fase da vida, o esporte deve contribuir para a saúde e para o desenvolvimento, e não gerar sobrecarga precoce. Quando a progressão é bem feita, a corrida pode ser uma experiência muito positiva. Quando há pressa, excesso ou cobrança desproporcional, o risco é transformar uma prática saudável em fonte de desgaste físico e emocional — diz.

Com que idade pode participar de provas de corrida de rua?

Em relação às provas de corrida de rua, há regras de faixa etária estabelecidas pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) no país. As restrições não são à toa: em maio, uma jovem de 15 anos morreu ao participar de uma meia-maratona (21 km) em Leiden, na Holanda. A causa exata não foi divulgada.

No Brasil, as idades mínimas por distância, considerando a idade completa no dia 31 de dezembro do ano da prova, são:

• Para distância de 5km: 14 anos;
• Para distância menores de 10 km: 16 anos;
• Para distâncias de 10 km a 30 km (incluindo meia-maratona): 18 anos;
• Para distâncias de 42 km (maratona) para cima: 20 anos.

Há ainda corridas infantis, com distâncias menores, inferiores a 1 km, destinadas especificamente a crianças. Os especialistas explicam que os principais riscos de acelerar antes da hora é gerar uma sobrecarga que o corpo em desenvolvimento ainda não está pronto para sustentar.

— Um esqueleto imaturo submetido a volume de adulto pode sofrer maior risco de fraturas por estresse e lesões na região de crescimento, deficiência energética relativa (RED-S) com atraso puberal e perda de massa óssea e maior risco de hipertermia, porque crianças toleram pior o calor — afirma Ana Paula.

Deon, da PUCRS, acrescenta ainda o risco da perda do prazer pela prática esportiva, como um burnout da corrida. Ele alerta que, às vezes, o jovem até consegue completar uma distância acima da indicada sem se sentir mal, mas isso não significa que aquele esforço está adequado para a sua fase de crescimento.

— O problema é a pressa. Quando a exigência chega antes da base, o esporte pode deixar de ser uma experiência saudável e passar a gerar desgaste físico e emocional — diz.

Crianças podem praticar corrida? Veja o que dizem os especialistashttps://oglobo.globo.com/esportes/intercolegial/noticia/2026/07/14/criancas-e-adolescentes-podem-praticar-corrida-especialistas-explicam-os-cuidados-e-as-distancias-por-idade.ghtmlOpen linkView original on lemmy.eco.br
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O lado oculto dos wearables: relógios inteligentes podem favorecer ansiedade e desconexão corporal

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O lado oculto dos wearables: relógios inteligentes podem favorecer ansiedade e desconexão corporal

Smartwatches e apps prometem mais controle e bem-estar, mas, sem contexto, podem gerar culpa e abalar a saúde mental

^Por Isabella Abreu^
^16/05/2026 | 05h30^

Nunca tivemos tanto acesso a dados sobre o próprio corpo. Frequência cardíaca, qualidade do sono, passos, calorias, níveis de estresse. A promessa é sedutora: medir mais para viver melhor. Mas, na prática, o uso de relógios inteligentes e outros wearables vem revelando um paradoxo: aquilo que deveria promover saúde e autocuidado pode, em alguns casos, alimentar ansiedade, autocobrança e até perda de autonomia.

“O monitoramento contínuo é bastante útil quando ajuda a ampliar a consciência e orientar mudanças realistas de comportamento”, afirma Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Saúde Mental e Bem-Estar. “Mas ele se torna problemático quando passa a ocupar um lugar central na regulação emocional da pessoa.” Se usados sem critério, relógios inteligentes e outros wearables podem alimentar ansiedade, autocobrança e até perda de autonomia.

No consultório, a endocrinologista Alessandra Rascovski tem visto um fenômeno cada vez mais comum: pacientes angustiados por causa de métricas. “Eu achei que dormi bem, mas o relógio disse que não”, relatam alguns. Para a especialista, que também é autora do livro Atmasoma - O equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor (EV Publicações), o ponto crítico é quando o dado passa a competir com a percepção. “A tecnologia pode ser uma grande aliada. Ela mostra tendências, ajuda a acompanhar padrões e, quando bem interpretada, favorece decisões mais conscientes. O problema começa quando o número vira julgamento. Quando o score vira identidade. Quando o aplicativo passa a ditar o humor do dia”, avalia.

Zoldan observa que esse deslocamento pode vir acompanhado de sinais claros de alerta: dependência dos dados para decisões simples, irritação diante de indicadores ruins e uma necessidade constante de desempenho. “A pessoa deixa de usar os indicadores como referência e passa a ser usada por eles”, afirma.

A lógica da performance - tão presente no trabalho e na vida social - invade o cuidado com a saúde. Metas diárias deixam de ser guias e passam a funcionar como cobranças. Não bater o número esperado pode gerar uma culpa desproporcional, enquanto bons resultados oferecem uma sensação momentânea de validação.

A ilusão de controle

“A quantificação da saúde traz uma sensação de objetividade, mas pode induzir a uma ilusão de controle”, explica Zoldan. “E nem tudo que é relevante clinicamente é mensurável, e nem tudo que é mensurável é clinicamente relevante”, destaca.

Isso se torna especialmente problemático quando métricas são interpretadas de forma isolada. Oscilações normais - como uma noite mal dormida ou uma variação na frequência cardíaca - podem ser vistas como sinais de algo grave. O resultado é um ciclo de hipervigilância e ansiedade, fenômeno que alguns especialistas associam à “cybercondria”, ou seja, a preocupação excessiva com a saúde a partir de dados e informações fragmentadas.

O cérebro viciado em métricas

Segundo Alessandra, cada notificação ativa o sistema de recompensa do cérebro. “Existe um componente dopaminérgico envolvido na busca por números melhores, círculos fechados, metas cumpridas. O cérebro gosta de completar tarefas”, explica.

A questão é que esse mecanismo pode levar à hipervigilância, que é algo prejudicial à saúde. “Quando usamos wearables de forma contínua, sem critério, podemos cair em uma lógica de controle excessivo. Em vez de escuta corporal, passamos a depender de validação algorítmica. Em vez de perceber como nos sentimos, esperamos o gráfico nos dizer”, alerta.

Sono sob pressão: o risco da ortossonia

No caso específico do sono, os efeitos podem ser ainda mais evidentes. Segundo Rogério Santos da Silva, coordenador do núcleo de tecnologia da Academia Brasileira do Sono, o monitoramento pode ser útil para criar consciência sobre hábitos, como regular horários ou reduzir estímulos à noite, mas deixa de ser benéfico quando gera ansiedade ou comportamentos rígidos (tentar “forçar” o sono para melhorar números é um exemplo).

“O sono é um processo biológico espontâneo - quanto mais tentamos controlá-lo de forma excessiva, mais ele tende a se desorganizar”, afirma.

Um dos fenômenos associados a esse cenário é a ortossonia, isto é, a busca obsessiva por um sono “perfeito” com base em métricas. Entre os sinais de alerta estão checagem constante dos dados, ansiedade antes de dormir, frustração frequente com resultados considerados inadequados e desvalorização da própria percepção de descanso.

Além disso, embora os dispositivos tenham evoluído, eles ainda oferecem estimativas - não diagnósticos. “Métricas como ‘sleep score’ devem ser vistas como aproximações, e não como avaliação clínica”, diz Silva. Para questões como suspeita de insônia, apneia ou outros distúrbios, esses dados são insuficientes e a avaliação por um especialista é fundamental.

Como usar a tecnologia a seu favor

Para que os wearables sejam aliados - e não fontes de pressão -, o ponto de partida é mudar a forma de usá-los. Em vez de tratar as informações como verdades absolutas, o ideal é encará-las como referências que ajudam a identificar padrões ao longo do tempo. Como destaca Silva, esses dispositivos devem ser vistos como “ferramentas auxiliares, não como árbitros absolutos.”

Na prática, isso significa priorizar tendências, e não se prender a oscilações pontuais; evitar a checagem constante ao longo do dia; e flexibilizar metas, entendendo que o corpo não funciona de forma linear. Um dia ou outro fora do padrão não define sua saúde.

Outra estratégia importante é selecionar apenas algumas métricas realmente relevantes, em vez de acompanhar tudo ao mesmo tempo - o excesso de informação tende a confundir mais do que ajudar. Também é recomendável criar momentos sem monitoramento. “O descanso mental também faz parte do cuidado”, afirma Alessandra.

No fim, o uso equilibrado passa por integrar os dados com a percepção subjetiva. “A tecnologia pode ser uma ferramenta de autoconhecimento, desde que não se torne fonte de ansiedade. Se gerar culpa, comparação ou perfeccionismo, vale se perguntar: isso está ampliando minha consciência ou estreitando minha liberdade? Nenhum relógio substitui a capacidade de sentir o próprio corpo. Cuidar da saúde não é se vigiar. É se escutar”, enfatiza a endocrinologista.

O lado oculto dos wearables: relógios inteligentes podem favorecer ansiedade e desconexão corporalhttps://www.estadao.com.br/pulsa/mente-e-cerebro/o-lado-oculto-dos-wearables-relogios-inteligentes-podem-favorecer-ansiedade-e-desconexao-corporal/Open linkView original on lemmy.eco.br
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O lado oculto dos wearables: relógios inteligentes podem favorecer ansiedade e desconexão corporal

O lado oculto dos wearables: relógios inteligentes podem favorecer ansiedade e desconexão corporal

Smartwatches e apps prometem mais controle e bem-estar, mas, sem contexto, podem gerar culpa e abalar a saúde mental

^Por Isabella Abreu^
^16/05/2026 | 05h30^

Nunca tivemos tanto acesso a dados sobre o próprio corpo. Frequência cardíaca, qualidade do sono, passos, calorias, níveis de estresse. A promessa é sedutora: medir mais para viver melhor. Mas, na prática, o uso de relógios inteligentes e outros wearables vem revelando um paradoxo: aquilo que deveria promover saúde e autocuidado pode, em alguns casos, alimentar ansiedade, autocobrança e até perda de autonomia.

“O monitoramento contínuo é bastante útil quando ajuda a ampliar a consciência e orientar mudanças realistas de comportamento”, afirma Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Saúde Mental e Bem-Estar. “Mas ele se torna problemático quando passa a ocupar um lugar central na regulação emocional da pessoa.” Se usados sem critério, relógios inteligentes e outros wearables podem alimentar ansiedade, autocobrança e até perda de autonomia.

No consultório, a endocrinologista Alessandra Rascovski tem visto um fenômeno cada vez mais comum: pacientes angustiados por causa de métricas. “Eu achei que dormi bem, mas o relógio disse que não”, relatam alguns. Para a especialista, que também é autora do livro Atmasoma - O equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor (EV Publicações), o ponto crítico é quando o dado passa a competir com a percepção. “A tecnologia pode ser uma grande aliada. Ela mostra tendências, ajuda a acompanhar padrões e, quando bem interpretada, favorece decisões mais conscientes. O problema começa quando o número vira julgamento. Quando o score vira identidade. Quando o aplicativo passa a ditar o humor do dia”, avalia.

Zoldan observa que esse deslocamento pode vir acompanhado de sinais claros de alerta: dependência dos dados para decisões simples, irritação diante de indicadores ruins e uma necessidade constante de desempenho. “A pessoa deixa de usar os indicadores como referência e passa a ser usada por eles”, afirma.

A lógica da performance - tão presente no trabalho e na vida social - invade o cuidado com a saúde. Metas diárias deixam de ser guias e passam a funcionar como cobranças. Não bater o número esperado pode gerar uma culpa desproporcional, enquanto bons resultados oferecem uma sensação momentânea de validação.

A ilusão de controle

“A quantificação da saúde traz uma sensação de objetividade, mas pode induzir a uma ilusão de controle”, explica Zoldan. “E nem tudo que é relevante clinicamente é mensurável, e nem tudo que é mensurável é clinicamente relevante”, destaca.

Isso se torna especialmente problemático quando métricas são interpretadas de forma isolada. Oscilações normais - como uma noite mal dormida ou uma variação na frequência cardíaca - podem ser vistas como sinais de algo grave. O resultado é um ciclo de hipervigilância e ansiedade, fenômeno que alguns especialistas associam à “cybercondria”, ou seja, a preocupação excessiva com a saúde a partir de dados e informações fragmentadas.

O cérebro viciado em métricas

Segundo Alessandra, cada notificação ativa o sistema de recompensa do cérebro. “Existe um componente dopaminérgico envolvido na busca por números melhores, círculos fechados, metas cumpridas. O cérebro gosta de completar tarefas”, explica.

A questão é que esse mecanismo pode levar à hipervigilância, que é algo prejudicial à saúde. “Quando usamos wearables de forma contínua, sem critério, podemos cair em uma lógica de controle excessivo. Em vez de escuta corporal, passamos a depender de validação algorítmica. Em vez de perceber como nos sentimos, esperamos o gráfico nos dizer”, alerta.

Sono sob pressão: o risco da ortossonia

No caso específico do sono, os efeitos podem ser ainda mais evidentes. Segundo Rogério Santos da Silva, coordenador do núcleo de tecnologia da Academia Brasileira do Sono, o monitoramento pode ser útil para criar consciência sobre hábitos, como regular horários ou reduzir estímulos à noite, mas deixa de ser benéfico quando gera ansiedade ou comportamentos rígidos (tentar “forçar” o sono para melhorar números é um exemplo).

“O sono é um processo biológico espontâneo - quanto mais tentamos controlá-lo de forma excessiva, mais ele tende a se desorganizar”, afirma.

Um dos fenômenos associados a esse cenário é a ortossonia, isto é, a busca obsessiva por um sono “perfeito” com base em métricas. Entre os sinais de alerta estão checagem constante dos dados, ansiedade antes de dormir, frustração frequente com resultados considerados inadequados e desvalorização da própria percepção de descanso.

Além disso, embora os dispositivos tenham evoluído, eles ainda oferecem estimativas - não diagnósticos. “Métricas como ‘sleep score’ devem ser vistas como aproximações, e não como avaliação clínica”, diz Silva. Para questões como suspeita de insônia, apneia ou outros distúrbios, esses dados são insuficientes e a avaliação por um especialista é fundamental.

Como usar a tecnologia a seu favor

Para que os wearables sejam aliados - e não fontes de pressão -, o ponto de partida é mudar a forma de usá-los. Em vez de tratar as informações como verdades absolutas, o ideal é encará-las como referências que ajudam a identificar padrões ao longo do tempo. Como destaca Silva, esses dispositivos devem ser vistos como “ferramentas auxiliares, não como árbitros absolutos.”

Na prática, isso significa priorizar tendências, e não se prender a oscilações pontuais; evitar a checagem constante ao longo do dia; e flexibilizar metas, entendendo que o corpo não funciona de forma linear. Um dia ou outro fora do padrão não define sua saúde.

Outra estratégia importante é selecionar apenas algumas métricas realmente relevantes, em vez de acompanhar tudo ao mesmo tempo - o excesso de informação tende a confundir mais do que ajudar. Também é recomendável criar momentos sem monitoramento. “O descanso mental também faz parte do cuidado”, afirma Alessandra.

No fim, o uso equilibrado passa por integrar os dados com a percepção subjetiva. “A tecnologia pode ser uma ferramenta de autoconhecimento, desde que não se torne fonte de ansiedade. Se gerar culpa, comparação ou perfeccionismo, vale se perguntar: isso está ampliando minha consciência ou estreitando minha liberdade? Nenhum relógio substitui a capacidade de sentir o próprio corpo. Cuidar da saúde não é se vigiar. É se escutar”, enfatiza a endocrinologista.

O lado oculto dos wearables: relógios inteligentes podem favorecer ansiedade e desconexão corporalhttps://www.estadao.com.br/pulsa/mente-e-cerebro/o-lado-oculto-dos-wearables-relogios-inteligentes-podem-favorecer-ansiedade-e-desconexao-corporal/Open linkView original on lemmy.eco.br
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